Este é um fórum público que pode ser lido e comentado por visitantes não cadastrados no site. Comentários de visitantes são publicados somente depois de aprovação pelos moderadores.
Se você é membro do Band82, conecte-se antes de comentar para ter seu comentário publicado imediatamente.
Pessoal,lá em piracicaba,na gloriosa ESALQ-USP,a associação de ex-alunos editou um livro,comemorativo dos 100 anos de fundação da faculdade de agronomia,que foi compilado pelo ex-ministro da agricultura Roberto Rodrigues(tambem um ex-aluno da gloriosa),contando "causos" ocorridos em torno da história dos alunos,ex-alunos,professores e da faculdade. Ficou muito bom; acho que poderíamos fazer o mesmo , sem esperar pelos 100 anos do BANDEIRANTES.Trocando nomes,datas e fatos,se fosse o caso,para não prejudicar ninguém.Amanhã , com mais tempo escreverei um causo de "assombração" para dar a partida.
Forum Lembrancas do Band
Mane' tem um Forum todo dedicado a Lembrancas do Band mas nao tem tido muita contribuicao.
Ve se voce toma conta de agitar aquela praca publica.
causos
kida veja isso é tudo història verídica ,são dessas cousas que estou falando , será que cabe no lembranças do band?
Lá vai a primeira:
O muací(moacir)era um desses caboclo bem simples ,faltava-lhe uns dentes na frente,sempre de botina sem meia e calça de pular brejo,a camisa na maior parte das veis faltava uns botão na barriga,de modos que ficava mais abotoada nos peito.Qdo tava em minas ,conta-se,os primo, que um helicóptero que sobrevoava o lugar sumiu do lado de lá da montanha e com ele seu barulho, o moací ,sério pôs o indicador em riste e falou:"ÓIA ENGATÔ BANGUELA". Esse era o moací ,a muié largo dele com dois filho,para ele acabar de criar, foi-se embora com um meieiro de granja de frango,lá pras bandas de bastos.Assim ele vortô pra casa da mãe mais os dois moleque.Foi nesse tempo que eu o conheci.Nessa época, fora os registrados, tinha serviço para uns 7 boias-frias e eu ia todo dia buscar ele e outros que ficavam no caminho da casa dele.
Um dia me cansei de fazer esse trajeto e como ele sabia dirigir trator,deixava ele ir embora de trator e no outro dia cedo ele vinha e me trazia a turma.E assim foi até que num belo dia de domingo,ao passar por um patrimonio de nome Boa Vista , reconheci o trator parado na rua , e um pouco mais na frente o muací tombando de bêbado. E como só o serviço dele já me resolvia ,dispensei os outros boias-fria e falei para ele , que se quizesse,tinha uma égua mansinha, de nome estrela, que ele poderia usar,para ir e vir da sua casa ,ele topou.
Logo no primeiro dia qdo ia chegando na sua casa ,contam os primo,que moravam nas casas ao lado,sua mãe vendo ele montado, saiu correndo com as mãos na cabeça e gritou:"MAS MOACIRU ,TU NUM SABE QUE TU NUM PODE ANDÁ DE CAVALO HÔME!!" ao que prontamente ele respondeu:"NUM É CAVALO NÃO MÃE, É ÉGUA!!!"
causos 2 HERANÇA
HERANÇA
Joaquim alves dos santos,popularmente conhecido como joaquinzão,um negro dos seus metro e noventa ,beirando 100kg,dono de um falar grave,
manso,
pausado
escasso.
Qdo me cumprimentava ,os dedos davam a volta se encontrando nas costas da minha mão, era como se a gente estivesse dando a mão p uma criança de 5 anos .E talvez por um costume de tempos pretéritos,me tratava de nhozim.
Nunca depois na minha vida,conheci pessoa de tamanha força,inocência e alegria,juntas
.Algumas passagens da vida dele, pro pessoal de hoje,talvez sejam de difícil crença.
Mas que se não tivesse visto,não estaria aqui contando.
Numa feita ,cheguei no barracão vindo da cidade trazendo óleo diesel,e pedi pra ele me ajudá no carregamento de uma carga de lasca ,entrei no alojamento p tomar um gole d’aqua, e qdo sai vi ele descarregando o último dos três tambores de 200 litros de óleo diesel -trabalho que era normalmente realizado rolando o tambor na carroceria e depois deixando ele escorregar para cima de um pneu velho,já encimado num toco largo ,de modos a não rachar o tambor, daí nós deitávamos o bicho ,e rolava-mos em dois ou três,sobre dois ripões de ipê para cima da mesa onde eles deviam ficar.
Só que joaquinzão, sozinho,abraçou um por um os tambores ,levantou-os do assoalho da camionete e colocou-os em cima da mesa depois de uns nove passos!E lá vinha ele sorrindo pro meu lado. Pensei:”nunca quero ver esse homem bravo!”
De outra vez lembro que na hora do café,tava a peonada reunida e como a maioria tinha entre vinte e trinta anos,começaram a disputar quem levantava,no braço, o maior numero de rolos de arame liso(50 kg),sei que a coisa empacou e empatou no terceiro.Dai desafiaram joaquinzão,que permanecia quieto lá no canto,achando graça da careta que faziam os desafiantes,após alguma insistência ele pediu que colocassem 2 rolos em cada braço e um no pescoço,assim ele se levantou foi andando até o começo do barracão e voltou deixando os arames no lugar.Mostrou todos os dentes e saiu dando aquela risada grossa, fincada,partida,perdida no tempo.
Joaquinzão vivia de cortar madeira,principalmente p cerca e curral,sempre tinha serviço.Metrava,media ,lascava,tudo no machado,marreta ,cunha traçador e serra portuguesa (se o caso necessitasse).Era um artista nisso,sabia evitar e aproveitar os nós,cunhar direito madeira de fibras torcidas e sabia como ninguém o nome de todas as madeiras da mata e suas serventias.
Era mestre Tb na arte de tirar o mel
.Lembro que certo dia,lá na fazenda do Paraná,o operador de uma esteira,qdo foi derrubar uma gurucaia mais grossa ,saiu louco com o ataque das’africana’,deixando tudo pra trás e a máquina funcionando até acabar o óleo.O homem quase morreu,disse que ali não botava mais os pé,e assim foi.O certo é que de noite joaquinzão chegou com aquele sorriso de lua, chamando o pessoal da casa p tirar o ‘mele’,como ele dizia,e como as ‘vazia’dele eram poucas e o ninho era grande ,ia sobrar muito ‘mele’.
Bom foi bacia peq,
bacia méd,
bacia grande,cuia,litro, baldes e utensílios dos mais variados tamanhos,foi gente ‘armada ‘ de tudo qto é jeito, e só dava joaquinzão no machado e nas fumaça pra espantá e atordoá as mardita,os braço dele era só abelha ,que ele não espantava,dizia que num podia matar amassada,e eu achei mesmo que as bicha tava abestada até que duas me acertaram a ponta do indicador.Eita que dor! O dedo chega adormeceu!O certo é que ainda faltou vasilha pra tanto mel.
Assim era o joaquinzão,fazia Paraná,Mato grosso,Goiás e Minas,onde quer que precisassem,havendo disponibilidade lá tava ele.,e se o serviço fosse mais pesado ,ia o Anselmo pra lhe ajudá.
Bom certo dia joaquinzão resorveu modernizá,abandonou o machado o traçador e a serra portuguesa e partiu pra moto-serra,’era pra adiantá o serviço,dá mais valia’,e assim foi até que um dia numa matinha de eucaliptus lá na quinta escola,as arvore cortada não deitaram.
Formaram uma gaiola por cima.
E ele em baixo ,deu uma olhada e continuou a cortar .
Anselmo chamou:
-Cumpadi,vamu tomá café ,que o vento dirruba
-Não,
vô dirrubá mais uma que ela deita as outra
E assim foi que qdo acabou de cortar mais essa,ela desengaiolou as outras,só que ,uma dessas arvores,como que numa vingança por tudo que ele já havia derrubado,desempoleirô,e num galeio acertô a moto-serra que veio de encontro a sua barriga,de modo fatal.
Largou esposa e nenhum filho
No velório ,quem viu, disse que ele parecia estar sorrindo
.Acho que ele estava sorrindo da situação,como sempre fazia por pior que fosse.
E tem dias que qdo estou sozinho á noite,parece que escuto seu riso...pausado ,
trovoado ,
nem perto nem longe,
perdido na mata
Espero que gostem ,sábado preguiçoso na frente do computador ,lembrei dele e saiu isso.
CAUSOS 3 TIOTONHO-COISA FEITA
COISA FEITA
Tio Antônio(tiotonho) era desses caipiras da gema , nasceu e foi criado na lida,arava a terra com boi,mula ou trator,ordenhava as vacas,tratava,curava e carneava qualquer criação,dos tios foi o único que não se formou doutor em nada, gostava da fazenda e daquela vida e como não tinha inclinação pros estudos avançados da mestra paulina foi simplesmente ficando pra ajudar o vô ,formou-se na vida,"já sabia lê e fazer as quatro contas,pra quê mais?"
Era o tio mais querido,nas férias a criançada toda saia em comitiva atrás dele,que ensinava calmamente como curar direito o garrotiu,manqueira,capar novilho ou tirar a cola de borrego.E contava muitas estórias do tempo em que tudo ali era mato.
Era católico praticante,todo ano era uma novilha,um leitão gordo,uns borregos e tantas galinhas pros leilões e bingos da igreja;
Não tinha medo de cobra,boi bravo,vaca parida,relâmpago,trovão ou cara feia,mas era só falar de assombração,feitiços e coisas do além pro homem se derreter todo.Várias noites ele não dormia porque ficava ouvindo o "lobisome raspá as orelha nas parede da casa pra lá e pra cá,tentando entrá",e com o calor que fosse,se fincava debaixo do cobertô,tremendo e rezando!
No início dos anos 60,tiotonho resolveu adquirir seu primeiro automóvel, uma chevrolet brasil vermelha e branca,"carro de deputado,portentosa,vistosa e cheirava melhor que lombo de touro".
Certa feita,foi ele as tia e uns vizinho pruma quermesse no km 18,sairam cedo e entre bingos,leilão e prosas foram chegar de noitinha.Qdo foi tirar os documento do porta-luvas achou um monte de penas pretas.O tio já não gostou,foi dormir preocupado.
Noutro dia bem cedinho,depois da ordenha,foi dá ele lá na casa da salustiana,véia rezadeira,mesa branca,sabedora de muitas preces,orações e benzimentos pra tirá de olho gordo a espinhela caída;vendo as penas ,salú já foi dizendo:
"isso é trabaio e dos forte,pena de rabo de galo índio,arrancada em noite de lua cheia!.Tem arguém querendo fechá os teu caminho!Querendo que ocê só ande prá trás!" Foi o que bastou.Tiotonho não dormia mais,de nada adiantaram os chá,benzimento e reza de salú,"pena de rabo de galo índio rrancada em noite de lua cheia antes do sacrifício!!" Só isso ocupava sua cabeça.
E por aqueles dias na janta,foi servido ,sem maldade alguma ,polenta com frango!Tiotonho viu nisso um sinal e saiu correndo pro quarto.
De tão desesperado ele foi ter com o vigário da cidade,pedindo exorcismo,missas e benzimentos.Mas sentindo que esse padre novo era homem de pouca fé,pois só mandou que rezasse 3 pai-nosso e 2 ave-maria e que tirasse isso do pensamento,foi atrás do mais afamado rezadô do lugá:Chico Felisberto de Assunção.
Crioulo erado,sacudido,versado nas coisa obscura,esconjurava das pessoas e dos lugá,o coisa ruim,o zóio junto,o cramunhão,lobisomem,assombração e mula sem cabeça..
Conhecedô dos atalho e caminho dos aquém e do além,destravava e amarrava os destino,
incorporava uns tantos espíritos e falava em tantas línguas que nem o boticário,homem estudado,sabia decifrar .
Por essas e por outras era o mais afamado e respeitado rezadô do lugar.
Sunção olho as pena,dentro duma caixa(tiotonho não ousava mais tocar naquela obra de satanás)olhô,olhô, se assentou puxando uma idéia mais profunda na mente,e disse:
"Trabaio brabo,exu-caveira,gravata vermeia e com pena de galo índio!"
e tiotonho suava frio com cada nova revelação,
Sunção começou então a arfar o peito,saiu se contorcendo falando coisas incompreensíveis;tiotonho ali estático,chapéu na mão,joelho no chão e pedindo a Deus e Nossa Senhora que o livra-se do destino certo...
Bom ,pra resumi, depois de 4 dias de reza,penitência,descarrego,defumações,chás e outras coisas mais, tiotonho já sentindo que a cura se aproximava, tava lá sentado na varanda, qdo chega tia nininha,que dava aula na escola da vila e que havia ido praquela quermesse no km 18,e pergunta se o tio num viu um monte assim de penas,fazendo sinal com as mãos,que se extraviaram e eram para um trabalho da escola!
FIM
CAUSOS 4 IZÉ RISADA
IZÉ RISADA
Jose carlos ,veio pra fazenda são Francisco ainda criança, junto c a família de seu pai ,
o velho Joaquim ,
gostou ,
foi ficando ,não saiu mais.
Conhecia bem o lugar e era conhecido por todos ;por estar sempre rindo ,daí Zé risada ou izé risada ,como os antigos lhe chamavam.
Era um sujeito único ,dos seus metro e setenta , 75kg ,pele morena , quase glabro ,herança dos avós africanos e índios
,ligeiro como um gato ,
forte como o quê ,
e qdo moleque ,dizem , gostava de se exibir correndo moleque atrás das camionetes e caminhões que apareciam na fazenda ;num hipnotismo canino rasgava pelos pastos ,pulando cercas e porteira
sem relar os pé ,
chegando junto , lá na ponte do ribeirão
Depois voltava trotando
numa satisfação quase religiosa ,
equina ,
só entendida por animais livres ,assim falavam os antigos
Certo dia um cumpadre do vô ,cansado de ver tanta carrera ,desafiô:
- Guri ,se tu subi neste pé-de-coco , e tirá um cacho ,só c’as mão ,sem derrubar um fruto ,te dou um borreguito!
Izé olhou p pé com seus 10 metros e disse:
-E se eu subi de ponta cabeça?
E com todos dando risada ,ele arrematou:
-ganho dois?
-Feito!!
Assim foi ,Izé plantou bananeira no tronco ,
enlaçou com as perna e foi tal qual uma lagarta ,
empurrando com os braço e travando com as perna ,se demorou um pouco qdo chegou nas folhas ,deu um galeio e alombou no palmito , mexeu com jeito o cacho e em pouco tempo tava Izé ,com o cacho numa mão,e a outra mão estendida p cumprimentá o derrotado.
O vô tinha mania ,desde os tempo de moço,de em tudo lugar que ia ,se achava uma árvore ,pricipalmente de fruta diferente, logo procurava semente,
galho,
raiz ou o que fizesse a procriação,
enfiava na gibeira,
nos bolso,
e qdo chegava na fazenda de pronto plantava.
.
Era tanta árvore de tanta fruta,que p umas não havia nem nome.
E pra não ficar órfã ,Izé ,depois de alguma análise e puxando das memória de seus avós guaranis,logo lhe dava um:
Vagem-de-macaco(porque os bugiu gostavam delas),
araçá-de-cipó(tipo de goiabinha que dava numa trepadeira),
tumim(árvore que dava poucos frutos,'quem num chegava premero,ficava sem' era só um pra tu e um pra mim,dai tumim),
e uma infinidade de outros :guandiú,caróba,espirradeira...não havia coisa que Izé não nomeasse
ou admitisse desconhecer.
Certa vez, o vô ganhou sementes de um trigo-mourisco trazido lá de Trás-os-montes ,por um cumpadre chegado de portugal.Pegou um punhado de sementes ,chegou pro izé e perguntou,
só pra testar:
-Quê grão é esse cumpadi?
Izé pegou ,
apalpou,
cheirou,
esfregou nas mão,
e todo mundo esperando o veredito,
se contorceu na memória e disse:
-isso é capim-arroz-do-brejo!
E foi assim que ele se desapertou!
O vô passou o braço nos ombro do izé,deu uma risada e disse:
-é isso mesmo,
ocê num tem jeito cumpadi!
E pediu que ele achasse um cantinho pra plantá o 'capim-arroz-do-brejo'.
E dentro do pomar havia umas fruteira,vinda dos estrangêro,essas já vinham com nome,origem e serventia
E dentre essas tinha dois pé ,vindas ainda pequenas de um lugar chamado madagascár ,que davam um suco sem segundo ,mas não davam semente
E por galho não conseguiram reprodução,
tanto que o vô recomendou pessoalmente que não se arrancasse
,podasse ,
ou se fizesse qualquer dano nessas
,eram especiais
Lá no pomar,por aqueles tempos ,ficavam tbém umas vaca-búfala ,recém chegadas de longe,dum lugá chamado Ìndia ,tinham até documento e um tal de 'pedigri',
sangue novo
leitêro
carnudo
'pra mode indireitá e arribá os boi-bufa da fazenda' dizia o vô ,que gastou uma boiada pra trazer as tais vacas.
O certo é que num dia de velório, do primo Adamastor ,
pessoa muito querida ,de muita estima
foi o vô e os tio tudo viajá,
pra prestá sentimento pros parente distante
Ficaram fora 5 dias e fizeram todas as remitivas e recomendações pro Izé,que já acostumado naquela lida, certamente não iria ter entrevero algum.
Só que ,como dizia o tio:"Depois da tempestade ,vem a inundação" ,
as fêmea entraro no cio.
E sem macho,assim como as vacas, começaram a montar uma nas outras
e numa dessas engarupada,
uma enroscou os chifre nos galho daquela árvore de madagascar.
Chifre retorcido prá trás e galhada forte,
tá lá! ficou a bicha
dependurada por uma das guampa,
pedalando e envergando a fruteira preferida do vô.
Foram logo chamar Izé ,que qdo viu aquilo colocou as mão na cabeça ,pediu p Virge Maria e Nossa Senhora ,
pensou no vô e não teve dúvida,
pegou um serrote e
CORTOU O CHIFRE DA VACA-BUFA FORA!!!